Como empresas atraem colaboradores na nova economia

por Equipe Alstra
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Até 2020, 43% da força de trabalho dos Estados Unidos estará na gig economy, de acordo com uma pesquisa da empresa de soluções financeiras Intuit. Responsável por um estudo sobre o impacto de fatores econômicos e comportamentais em trabalhadores da gig economy, o professor Gad Allon, da Wharton School, vinculada à Universidade da Pensilvânia, afirma que essa categoria vai movimentar US$ 2,7 trilhões até 2025.

Uma das características de maior destaque dessa nova economia, representada pelas pioneiras Uber e Airbnb, é a flexibilidade. Empresa e colaborador trabalham de acordo com a demanda e têm uma relação baseada na escolha e com maior poder de negociação.

Como essas relações de trabalho ainda são novidade, há muito a descobrir sobre como garantir que essa seja uma realidade de ganho mútuo. A pesquisa, realizada por Allon, em parceria com Maxime Cohen, da Universidade de Nova York, e com Park Sinchaisri, também de Wharton, foi feita no final de 2018 e reuniu dados de 8 mil motoristas de aplicativos, com o objetivo verificar quais fatores levam os motoristas de aplicativo a trabalhar e quais incentivos as empresas podem usar para atraí-los conforme a demanda (Fonte: The Impact of Behavioral and Economic Drivers on Gig Economy Workers).

Os pesquisadores observaram que um número significativo de pessoas ingressa na gig economy para complementar a renda e não por necessidade. A atividade começa como uma solução para pagar um gasto extra, mas acaba cativando o profissional principalmente pela flexibilidade e ele decide se manter.

Uma das descobertas feita no estudo é o incentivo financeiro ter um efeito positivo na decisão do motorista de ir trabalhar e também na quantidade de horas que ele fica à disposição do aplicativo. Segundo a pesquisa, há também o impacto da meta de ganho no comportamento do motorista ao longo do dia. Pela manhã, uma maior receita acumulada vai incentivar o motorista a trabalhar mais, enquanto, à tarde e à noite, o motorista tende a largar o trabalho quando se aproxima da meta. Algo que surpreendeu os pesquisadores foi descobrir que quanto mais perto de atingir o objetivo ele está, menos ele vai querer dirigir. Outro fato curioso é o fenômeno que os pesquisadores chamaram de inércia: quanto mais o motorista esteve ativo, mais ele vai querer continuar dirigindo.

Informações como essas são de grande valia para as empresas entenderem melhor como reter os melhores e mais adequados profissionais. De acordo com os pesquisadores, para o motorista que está mais perto de alcançar a meta, por exemplo, o incentivo financeiro para ele continuar dirigindo teria de ser bem maior, enquanto a empresa poderia atrair um outra motorista com menos investimento. Cabe às empresas usar da melhor maneira possível a grande quantidade de dados disponíveis para tornar essa uma relação de ganha-ganha.  

A maioria dos entrevistados trabalha 75% do tempo para uma empresa e o resto do tempo em outro aplicativo de transporte de passageiros ou de entregas, já que há grande facilidade para mudar de uma para outra. Por isso um dos desafios para as empresas representantes dessa nova economia é a concorrência não ser apenas pelo cliente, mas também pelo motorista. Quanto mais motoristas disponíveis, melhor a entrega do serviço e, consequentemente, mais clientes conquistados.  

Ainda há muito a aprender sobre o relacionamento empresa-colaborador na era da gig economy. Essa relação está sendo construída aos poucos e traz como vantagem para as duas partes a flexibilidade. Cabe aos envolvidos se comprometerem a criar um ambiente que seja bom para todos.

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