Redução na jornada de trabalho aumenta produtividade?

por Equipe Alstra
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Desde que a jornada de trabalho de oito horas diárias foi recomendada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), no início do século passado, essa rotina tem sido a realidade de muitos trabalhadores. No Brasil, a Constituição de 1988 determina o limite semanal de 44 horas e, com a reforma trabalhista aprovada em 2017, diariamente o trabalhador pode prestar até 12 horas de serviço.

Embora bem aceitas pelo mercado, essas regras não são necessariamente sinônimo de produtividade e já existem práticas diferentes no mundo corporativo. A pesquisa “The Case for a 4-Day Workweek?”, feita pelo The Workforce Institute na Kronos Incorporated, na Austrália, Canadá, França, Alemanha, Índia, México, Reino Unido e Estados Unidos, mostra que os próprios trabalhadores estão dispostos a aceitar mudanças. Fonte: The Corporate Culture Study

Um dos objetivos do estudo é saber como os trabalhadores usam seu tempo e se o padrão de 40 horas semanais é mesmo efetivo. Curiosamente a pesquisa mostrou que, embora os colaboradores digam que têm tempo suficiente para concluir suas tarefas, muitos fazem hora extra.

De acordo com o estudo, realizado em 2018, 75% dos trabalhadores em tempo integral falaram que têm tempo suficiente durante o dia para terminar suas principais tarefas, mas, mesmo assim, 37% ficam mais de 40 horas semanais à disposição da empresa. 45% dos trabalhadores em período integral disseram que levaria menos de cinco horas para fazer suas tarefas se eles trabalhassem sem interrupções.

A pesquisa apontou que 72% trabalhariam menos dias da semana se o pagamento se mantivesse. 35% dos funcionários aceitariam um salário 20% menor para trabalhar um dia a menos na semana. A variação entre países é grande: aceitariam a troca 50% dos mexicanos, 43% dos indianos e 42% dos franceses.

Se o salário se mantivesse, 34% dos trabalhadores ouvidos apontaram como a semana útil ideal a com quatro dias. 20% prefeririam trabalhar três dias na semana. 28% está feliz com a semana de cinco dias úteis.

Os indianos estão felizes com os cinco dias úteis na semana. De acordo com a pesquisa, 69% manteria essa rotina, mesmo se tivessem a opção de trabalhar menos dias. 43% dos mexicanos também ficariam com a semana de cinco dias. Canadenses (59%), australianos (47%) e norte-americanos (40%) são mais favoráveis à semana de quatro dias, enquanto os trabalhadores do Reino Unido (26%) prefeririam trabalhar apenas três dias.

Perda de tempo

Mas como os funcionários gastam a maior parte de seu tempo dentro das empresas?

56% dos colaboradores e 28% dos gerentes disseram que atender clientes, pacientes ou estudantes são sua principal tarefa. Em seguida, para os colaboradores aparece ajudar colegas de trabalho (42%), trabalho administrativo (35%), trabalho manual (33%) e responder e-mails (31%). Para quem tem cargo de gerência, a lista segue com reuniões (27%), trabalho administrativo (27%),  ajudar colegas de trabalho (26%) e responder e-mail (26%).

A pesquisa também verificou onde está sendo desperdiçado o tempo dos funcionários. 86% afirmaram perder tempo diariamente em tarefas que não são ligadas à sua função principal. 41% gasta mais de uma hora nessas atividades. 40% usam uma hora a mais de seu dia para tarefas administrativas que não trazem valor para a empresa.

Estresse

O estudo também quis saber o que estressava os trabalhadores no dia a dia. O esgotamento no trabalho é sentido por 79% dos entrevistados, embora 71% dos trabalhadores tenham respondido que realizam o que querem todos os dias ou quase todos os dias. Os principais motivos para o esgotamento no trabalho apontados são a carga exagerada (26%), não ter tempo suficiente no dia para fazer o trabalho (25%); falta de colegas qualificados (24%); uma cultura negativa/equipe tóxica (24%); e compensação injusta (21%).

Um fato interessante verificado pelo estudo é que 53% dos entrevistados se sentem pressionados a fazer hora-extra para crescer na carreira, mas, para 60% dos trabalhadores, essa pressão vem deles mesmos. Além disso, 71% disseram que o trabalho interfere na vida pessoal.

A redução na jornada de trabalho tem sido recomendada por estudiosos do assunto. Uma pesquisa realizada na Universidade Nacional Australiana, em 2017, concluiu que trabalhar mais que 39 horas por semana pode colocar a saúde das pessoas em risco. Para as mulheres o limite deve ser 34 horas, já que, em todo o mundo, elas têm mais tarefas fora do ambiente corporativo.

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